Confira a coluna de hoje n’O Globo:
Terraplanistas do Brasil, uni-vos!
“Um espectro ronda o Brasil — o espectro do terraplanismo. Não aquele baseado na crença de que vivamos numa espécie de pires cósmico, tendo por céu uma cumbuca emborcada sobre nós (ou um bowl , como se diz no português dos programas de culinária). O terraplanismo é mais universal. Engloba outras platitudes.
Não houve facada. Foi golpe. A Lava-Jato prejudicou o país. O país estava à beira do comunismo. Não existe aquecimento global. Vivemos numa ditadura. As ONGs põem fogo na porra da árvore. Palavras matam.
Pode-se acusar o terraplanismo de tudo, menos de não ser democrático. Está à esquerda, à direita, em cima, embaixo, na grande mídia, na internet. Em comum, o fato de ser avesso a argumentações, impermeável a evidências, imune a provas concretas. É menos uma concepção de mundo que uma birra com a realidade. E, para compensar que enxerga só de um olho, fala pelos cotovelos.
Há o terraplanismo dos formatadores de opinião (ou influencers, como se diz no português do mundo virtual), youtubers cuja idade mental é a raiz quadrada da idade cronológica. O terraplanista genérico e o de marca. O genérico quer #lulalivre e pronto; o de marca acredita que o ex-presidente seja mesmo inocente. O genérico se consola dizendo que só havia um antídoto para o petismo; o de marca se envenena com esse antídoto em êxtase cívico. Os mimizentos, que se ofendem com tudo, e os memezentos, que transformam qualquer coisa em meme.
Terraplanistas de todos os inúmeros gêneros e graus, uni-vos. Nada tendes a perder a não ser vosso ideal de transformar o Brasil numa enorme Serra Pelada ou num imenso Bacurau.”
Porque hoje é sexta, n’O Globo.
A descrição perfeita do Brasil de hoje apresentada com o mais fino humor. Parabéns! De novo.
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